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Perspectivas de crescimento para o segmento de papel e celulose em 2021

Perspectivas de crescimento para o segmento de papel e celulose em 2021

 

 

Em 2020, com a pandemia, o setor papeleiro enfrentou grandes desafios no que diz respeito a demanda de seus produtos e aquisição de matéria prima. Com as indústrias fechadas e um novo cenário econômico, tornou-se necessário pensar em inovação e reinventação do mercado.

Apesar do cenário enfrentado em 2020, as estimativas do mercado são positivas, especialmente para o segundo semestre de 2021. Segundo dados informados pela Indústria Brasileira de Árvores (IBA), as exportações do setor aumentaram 4,3%, alcançando 11,3 milhões de toneladas fabricadas. E a estimativa é de que o setor continue em crescimento nos próximos anos. Outro dado levantado pelo IBA é de que até 2023 está previsto a ampliação de plantios, fábricas e novas unidades visando um investimento de 35,5 bilhões até 2023. 

 

Indicadores econômicos divulgados pelo IBA*:

-A indústria de base florestal fechou 2019 com US$ 10,3 bilhões de saldo na balança comercial. 

-As exportações somaram cerca de US$ 11,3 bilhões, o equivalente a 4,3% das exportações brasileiras.

-O setor de árvores plantadas também é responsável por cerca de 3,75 milhões de empregos diretos, indiretos e resultante do efeito-renda.

-Responsável pela geração de R$ 13 bilhões em tributos federais, estaduais e municipais: 0,9% da arrecadação nacional.

(*Ref: iba.org/dados-estatisticos)

 

A competitividade do Brasil no mercado mundial:

As indústrias brasileiras produtoras de celulose estão se destacando como referência em negociações internacionais e têm como principais forças: 

-Base florestal altamente produtiva e integrada à indústria, com alto investimento em reflorestamento.

-Elevada escala produtiva e baixa idade tecnológica das plantas industriais; 

-Equipes qualificadas em pesquisa e desenvolvimento florestal. 

As principais empresas brasileiras estão entre as líderes globais no segmento de celulose (englobando todos os tipos de celulose de mercado e não somente a fibra curta), dentre elas se destaca a Eldorado e Cenibra. 

Em compensação, a dependência de um único produto (no caso, celulose de fibra curta de eucalipto), concentração no mercado externo – ocasionando a inflação no preço da celulose, a longa distância para os principais mercados consumidores (provocando custos altos de exportação) e a pouca expertise em pesquisa e desenvolvimento industrial; são os desafios enfrentados pelo setor. 

Já em relação às indústrias do segmento de papéis, o Brasil responde por apenas 2,5% da produção mundial de papéis (contra cerca de 40% de participação da celulose). Esta baixa participação pode ser atribuída a vários contrapontos como: infraestrutura logística deficiente, elevada e complexa tributação, empresas mal estruturadas organizacionalmente e de reduzido porte, custo elevado de energia e químicos e baixo consume per capita de papéis no Brasil e na América Latina. 

Atualmente a Klabin é a maior produtora brasileira e lidera a venda em vários segmentos de papéis no Brasil, porém não está posicionada nem entre as vinte maiores no mundo.   

 

Novas tecnologias em vista:

 

Os avanços tecnológicos no setor papeleiro possuem duas vertentes: a voltada para o segmento florestal e a direcionada para o industrial. No segmento florestal observa-se um avanço em medidas para aumentar a produtividade para assim reduzir custos de produção e a extensão de terras destinadas ao plantio de suprimentos para as fábricas. 

Na vertente industrial, os avanços se destacam com o aumento no uso de caldeiras movidas a biomassa, iniciando um movimento de abandono à tecnologia genérica e adotando a biotecnologia.

Com o desenvolvimento e aperfeiçoamento de biorrefinarias em caldeiras flamotubulares, a organização industrial deverá mudar. À medida que avançarmos em pesquisa e implementação de processos produtivos mais eficientes e menos custosos, teremos outras vantagens como maior valor agregado, melhorias no revestimento e resistência dos papeis e aumento na força, resistência, refletividade e impermeabilidade de materiais. 

 

Caldeiras movidas a biomassa:

 

Além de utilizar uma fonte energética renovável, a caldeira a biomassa apresenta uma significativa vantagem quanto ao seu custo, principalmente em um ambiente onde os combustíveis mais tradicionais estão se tornando escassos e seus preços estão cada vez mais elevados e inconstantes. 

Hoje em dia, os custos desta forma de bioenergia já estão bem mais competitivos em diversas aplicações industriais e, com o avanço no desenvolvimento de modernas tecnologias, é possível que diminuam ainda mais, como dizem alguns números de estudos ao redor do planeta. 

Segundo cálculo do EPRI (Instituto de Pesquisa de Energia Elétrica dos EUA), em 1990 o custo de produção de biomassa florestal girava em torno de US$ 25/t, mais foi reduzido para US$ 15/t 20 anos depois, hoje este custo é ainda mais reduzido. 

Em razão do avanço tecnológico, a economia na geração energética pode ocorrer também com o uso de uma caldeira a biomassa em processos industriais, cuja economia pode ser bastante significativa quando comparado às caldeiras tradicionais, devido, principalmente ao melhor aproveitamento da biomassa, que vem apresentando maior poder calorifico. 

Vale ressaltar, entretanto, que o grau de economia com o uso de combustíveis decorrentes da biomassa irá variar dependendo do sistema de geração energética e do plano de negócio definidos. Além do benefício econômico do uso de uma caldeira a biomassa, há diversos benefícios ambientais e sociais que, por muitas vezes não entram nos cálculos econômicos, mas certamente estimulam ainda mais o uso da biomassa. Esses benefícios têm relação com a redução da emissão de gases danosos ao efeito estufa e com a maior geração de empregos destinados à produção da biomassa.

 

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